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Cidade encantada.

Todas as faces sorriem em flores, cachos de uvas, raios de sol e folhas de outono.

Traços feitos a dedo. Sorrisos quase encostando nas orelhas.

Na moça mais bela, uma rosa pintada abaixo do olho. Os ramos vão terminar no canto dos lábios violeta-vivos.

Os velhos só são velhos por causa de seus cabelos alvos, brilhantes sob a luz do sol. As rugas não teriam cabimento na resina lisa de suas faces.

Crianças com as roupas sujas de terra. Porém, bochechas cor-de-rosa na medida do calor da brincadeira. Narizes arrebitados sobre as bocas alegres e dentes brancos.

Famílias estáticas, mãos nas mãos. Expressões endurecidas em uma compreensão profunda da própria alegria.

Se tocar, quebra.

– Psiu, olha só… parece que hoje a moça da rosa chora, mesmo sorrindo…

Não… É a chuva que foi tocar a sua máscara e molhou atrevida o canto do olho.

Dia e noite, risadas. Noite e dia, deslumbre.

Máscaras pintadas a dedo. Cores escolhidas com cada grama de cuidado pelas mãos de homens que não sorriem em violeta-vivo.

Homens que se escondem nas periferias dos traços de suas próprias máscaras, e por detrás.

Mas os rostos das máscaras são belos. Congelados belos para sempre.

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Ou pelo menos até o próximo outdoor.

Essa postagem é a minha primeira participação na proposta “Postagem Temática”, sugerida pelo blog Importâncias Relativas e Atravessadas Sugestões. O primeiro tema foi “Máscaras” (talvez eu tenha fugido um pouco dele. that’s life…). A minha sugestão para uma próxima edição é: estrada.

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Tirando o pó dos livros e da memória, encontrei uma amiga que me ajudou a tornar mais quente algum inverno de alguma infância.

Contra a amnésia? Pelo gosto dos anos atrás? A favor dos livros sem nariz empinado? Para aquecer mais ainda uma tarde regada a chá de hortelã?

Talvez não existam motivos. Só sei que reli a minha amiga.

E encontrei-a tão pequena, dentro de uma sala bem longe das montanhas. Uma sala com pesadas cortinas.

Uma sala dentro de uma cabeça.

Heidi correu até uma das janelas e depois até a outra. Queria ver o céu e a terra, sentia-se enjaulada entre as grandes cortinas. Como abri-las? Tentou puxá-las, mas não conseguiu. Entrou atrás das cortinas para alcançar a janela. Eram altas demais para o seu tamanho. Se seus olhos alcançassem o nível das vidraças, já seria bom. Procurou em volta, mas não achou nada que pudesse usar para subir. Novamente, correu de uma janela para outra, pulou para ver melhor, mas só conseguiu enxergar muros e janelas, nada além de muros e janelas.

Heidi – Johanna Spyri

Muros e janelas.

Será que Heidi já cresceu o suficiente para me ajudar a puxar as cortinas?

heidi

E eis que um breve raio de sol ilumina a face da menina de bochechas rosadas.

O movimento involuntário dos cantos dos lábios. Ensaio de sorriso. Fecha os olhos.

O ônibus chacoalha. Dança.

Uma rajada do vento frio quando a porta se abre.

As rajadas são toques de carinho. Vento frio repleto de partículas de luz.

Desde o sono. Desde a madrugada triste. Desde a última guerra. Desde o beijo de amanhã.

Cobrador, me avise a hora de perder a parada?

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