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Leve. Tão leve que o vento nem notou levar. Passou por entre as camisas de listras coloridas estendidas no varal e atravessou a cerca de arame. Chegou na calçada de pedra e desacordou até o fusca barulhento empurrá-la para mais uma dança no ar. Sentia-se livre, branca, pequena, invisível. Não carregava nada de sólido, nem de duro: apenas um amor amarelo recém-desperto pelos primeiros raios do dia. Deitou-se sobre a bola vermelha que ficara a noite inteira jogada no pátio até o garoto dedicar-se ao nobre ofício de brincar. Num chute, elevou-se ao céu petit-poá azul e branco, e desapareceu: virou mais uma bolinha de nuvem na abóboda celeste. Imperceptível a olho nu, na ausência terrestre. Via todos os prédios e casas lá de cima, sem por eles ser vista. Desintegrou-se.

Era só mais uma leva de átomos no universo, na mais completa sensação de felicidade.

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