You are currently browsing the monthly archive for janeiro 2015.

Foto: Gentil Barreira

 

tem um ser-tão fértil bem aqui no meio
bem no silva que eu, às vezes árida, esqueço de escrever
no interlúdio entre o ato do que não fui e o do que ainda posso ser
um ser-tão vasto que, pregando peças e ocultando placas, me faz me perder, me explorar e me esquecer

um ser-tão aconchegante que, por ser tão casa, me puxa sempre de volta
apesar de ser casa em que nunca morei
um ser-tão oceânico, do peixe e da sereia, não-geográfico
que acesso apenas pela estrada das minhas artérias, molhada pela chuva do inverno que nunca vem

um ser-tão do sul do sul do mundo
que neste janeiro pega fogo numa pequena capital
um ser-tão quente que ferve na minha assinatura e na minha genética
e que por ser tão, por ser tanto, se espalha pro começo e pro final

ser-tão. saudade

[mariana silva sirena]

***

Pessoal, não reativei este blog falecido. O texto acima foi só minha participação na edição especial da Postagem Temática (aqui tem informações sobre). Não podia deixar de fazer parte do “remember” desse projeto super bacana de que participei por um ano, entre 2009 e 2010, e que me fez trocar experiências com gente muito interessante.

O tema da vez foi – que apropriado! – nostalgia. Não consegui pensar em uma abordagem que não estivesse ligada à minha experiência pessoal, então tentei ver a saudade como um sertão. Um dos lugares que mais me causam nostalgia é a terra de minha mãe (ela nasceu em Itaiçaba e cresceu em Aracati, cidades cearenses), que não é bem sertão mas é tão, é tanto, e é eu.

Aproveito para dedicar essas palavras a todos os nordestinos que vivem me inspirando. Faço também um agradecimento especial à Bárbara Cunha, que me presenteou com a foto de Gentil Barreira que ilustra a postagem.

Siga-me

Jornalismo Travessia

Digite seu endereço de email para acompanhar esse blog e receber notificações de novos posts por email.

Junte-se a 7 outros seguidores